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O Bom Pastor e as mães

O Bom Pastor e as mães
Nada nem ninguém tira a atenção e o foco daquele que zela: seus olhos, seu
coração, sua alma, sua vida inteira; enfim, todo seu ser é voltado inteiramente
ao rebanho. Durante o dia caminha em busca de boa pastagem, de água, de
sombra.

À noite, vela; ao menor ruído suspeito, está de pé. Não reclama do cansaço
nem pede que outros o substituam. Não é por falta de confiança no trabalho
alheio, mas pelo conhecimento pleno de sua função, de seu papel.

Não há como separar o pastor de suas ovelhas; elas estão fora dele, mas
também existem concretamente dentro dele.

Quem nunca experimentou o que é o amor jamais compreenderá o que sente o
Bom Pastor. E ainda que nosso amor seja limitado, condicionado e muitas
vezes egoísta, mesmo assim temos uma noção do que é amar de verdade.
Imagine então o amor daquele que é o próprio Amor.

O mercenário, aquele que ¬ finge amor e cuidado, não tem consistência para
expor sua vida na defesa do que julga amar. Quando o lobo se aproxima, o
falso pastor que dormia na calada da noite desperta em meio aos berros das
ovelhas e num impulso corre, instintivamente, não em direção às ovelhas, mas
para salvar sua própria vida.

O instinto do verdadeiro amor é se jogar na frente da ovelha para que o lobo
estraçalhe a ele e nunca a razão de sua existência.

O Bom Pastor conhece suas ovelhas; palavras são desnecessárias para que
aconteça um verdadeiro diálogo. Quando se ama, a alma de um e de outro
conversam, mesmo que a boca permaneça fechada.

Não há mais o, “isto é, meu” ou o, “isto é, teu”; “este sou eu” ou “este é você”.
Existe um só corpo e uma só alma, um matrimônio indissolúvel. O Bom Pastor
contraiu vínculos eternos conosco, suas ovelhas.

E mesmo que desejemos fugir, como aquela ovelha que se perdeu, seu amor
não se transforma em ódio ou desprezo; pelo contrário, seu amor beira à
loucura, a ponto de vagar errante em busca do tesouro perdido.

Não se cansa, não desiste, tem sempre esperança de que talvez atrás daquela
montanha a ovelhinha esteja ali, esperando ser resgatada.

De fato, creio eu que, para nós, seres humanos um tanto quanto egoístas, seja
difícil mensurar a dimensão desse amor sem limites e suas consequências.
Porém, um amor conhecido por nós beira quase a perfeição: o amor de mãe
nos faz ter uma ideia do que seja o amor de Deus por nós, manifestado por
Cristo.

Pe. Luis Erlin, cmf